Nestas últimas semanas tenha falado/ouvido falar sobre religião, primeiro num
post do Rui, depois em conversa com a
Sibilla. E claro que fiquei a pensar em como me relaciono com a religião - no meu caso católica.
Fui baptizada em bebé porque os meus pais assim quiseram. Fui para a catequese pela mesma razão. Aí começou verdadeiramente a minha relação com Jesus, Deus, igreja, etc. Fiz a primeira e segunda comunhões e, quando muitos resolveram sair, continuei. Continuei porque "sou do contra", porque gostava do ambiente e das pessoas, não me sentia mal. Os anos que se seguiram, especialmente 7º ano, devem ter sido dos melhores a nível de catequese. Os temas tratados eram "temas normais", temas que todos os jovens queriam discutir, mesmo que houvesse sempre algo religioso no início ou no fim da sessão. Claro que depois havia missa, mas não via aquilo como uma seca, algo chato.
Os últimos anos de catequese, já não era catequese. Iniciou-se o jornal da catequese e escrevia artigos relacionados com a história, outras religiões, símbolos, curiosidades, o que envolvia alguma pesquisa e eu gostava daquilo. Nesta altura comecei também a ajudar uma amiga que já dava catequese quando estava sozinha, tanto na catequese como na missa com os miúdos. E por ter gostado deste relacionar com as crianças e porque era uma transição lógica, resolvi arriscar e dar catequese juntamente com dois amigos.
Foram dois anos a dar catequese. Ao mesmo tempo foi criado um grupo de jovens e mais uma vez, sendo lógico, integrei-o. Este grupo em nada tinha a ver com os últimos anos da catequese (como pensei que fosse), era mais religioso por assim dizer, apesar de momentos de interacção com a comunidade e outros grupos/paróquias interessantes. Hoje em dia percebo que a culpa da "religião extra" era de quem estava a frente do grupo e que nós, jovens, os víamos como exemplos e por isso fomos deixando andar. Apesar de ter algumas pessoas fixas, era um entrar e sair de outros jovens que iam experimentar mas depois ou não podiam/queriam e sobrava sempre para os mesmos.
Quando entrei para a faculdade queria encontrar um trabalho ao fim de semana e, por não querer começar um ano e não o acabar, deixei a catequese. O grupo de jovens, se não me engano, também acabou nesse verão - muitas pessoas a sair, tanto jovens como responsáveis. E eu deixei por completo a igreja. Rompi relações com tudo. Não houve mais missas (uma ou outra, em ocasiões muito excepcionais). Não houve mais rezas, agradecimentos, pedidos. Não houve mais nada.
Devido a coisas que aconteceram (e que não interessam, já estão e muito bem no passado) o Deus que tanto ajuda, que tanto bem faz às pessoas, penso que se chateou comigo. De bom ou proveitoso pouco recebi. Recebi umas boas lições que me tornaram na pessoa que sou hoje e percebi que nem sempre o que pedidos é o que recebemos.
Passei de catequista, pessoa que ia à missa e comungava todas as semanas, a uma pessoa amarga no que à religião diz respeito. Quando acontece de ir à missa já não comungo. Os sermões são ouvidos de outra perspectiva - da perspectiva de alguém que sabe que muitos dos que apregoam não o cumprem.
Não me sinto propriamente mal com este corte. Contudo sinto que tenho algo a resolver com a igreja.
A ideia de ter, por exemplo, um padre à minha disposição para conversar, uma conversa frontal, directa e sem rodeios agrada-me. Mas ainda não procurei nem encontrei um padre para isso. Não quero um "mais velho", que normalmente têm uma mentalidade um pouco retrógrada em certos aspectos (exemplo dos dois padres que serviram na paróquia enquanto lá andei). Será esta a maior dificuldade para mim, encontrar alguém disposto a ver o "lado negro", para eu conseguir resolver tudo.
Ultimamente vejo as coisas pelo lado científico. Se não tentar, não terei. As coisas não me vão aparecer à minha frente por obra de um Deus.